Ultimamente temos sido surpreendidos de forma negativa com
um número alarmante de mulheres vítimas de violência doméstica.
Nos últimos anos, tal índice tem aumentado de forma tão
considerável que no ano de 2006 foi publicada a Lei n. 11.340/2006, popularmente
conhecida como Lei Maria da Penha.
Posteriormente, em meados de 2012, o Supremo Tribunal Federal,
estabeleceu que as denúncias contra o agressor podem ser registradas por
qualquer pessoa, por meio do Disque 180, ou junto as Delegacias Especializadas
de Atendimento à Mulher (DEAMs).
Porém, tais medidas ainda não tiveram o condão de coibir ou
reduzir o número de violência doméstica cometida contra a mulher, sendo assim,
como forma de punição e não só de prevenção, no ano de 2015 o Código Penal
Brasileiro, sofreu alteração realizada pela Lei 13.104/2015, que incluiu no
referido diploma legal o feminicídio como qualificadora do crime homicídio e
ainda, lançando tal tipificação qualificada no rol dos crimes hediondos.
Assim, o feminicídio, foi recepcionado pelo Código Penal por
meio da Lei 13.104/2015, como homicídio qualificado, contra a mulher, “por
razões da condição de sexo feminino” (art. 121, §2º, VI e seguintes do CP).
O que nos causa estranheza é analisar que ao longo dos anos,
o número de ocorrências registradas de violência contra mulher e feminicídio
tem aumentado consideravelmente, mesmo após todas as políticas adotadas.
Causando a impressão de que, quanto mais se fala sobre o
assunto, mais aumenta a violência. Contudo, em verdade nós mulheres continuamos
sendo vítimas da influência machista na criação dos filhos.
A cultura social ainda persiste em educar os filhos homens
para serem os provedores, as mulheres para serem independentes, contudo, não se
conscientiza o homem para aceitar tal independência feminina como algo positivo
a ser somado no lar e nas relações trabalhistas.
Tal cultura ainda, faz com que mulheres bem sucedidas e independentes, acreditem ser normal a submissão extrema ao sexo masculino, em respeito a retrograda visão de superioridade masculina no lar.
Assim, acabo por concluir que essa nova geração de mulheres
empoderadas, que foram criadas para serem independentes e buscarem cada vez
mais igualdade no mercado de trabalho, está muito além da cultura imposta a
nova geração masculina, que ainda tende a acreditar serem eles o sexo forte e
as mulheres o sexo frágil e portanto, submissas a masculinidade.
Enquanto nossa cultura for de educar o sexo masculino para
ser aquele quem tem a última palavra, a autoridade máxima dentro do lar e na sociedade
em geral, infelizmente, os números de feminicídio e de violência contra a
mulher, dificilmente diminuirão.

















